sexta-feira, 4 de março de 2011



É tudo de um pouco,
se nada for o bastante,
não é preciso que sobre
o sorriso, pois é o que
há de mais abundância,
desperdiçado o dinheiro no palheiro,
fito todos os pandemônios
neste fuzuê de inflorescencias,
repartilhar todo hélio para
as pressas ir de encontro
com a inércia inépcia,
enquanto a marujada
se afoga em goles monstruosos,
abrange os gritos de uma
velha surda, o que será
que ela diz quando fala
da vontade dos homens
de destruindo pelo prazer tragados
dos potes de mel, seria sina,
mas não lhe resta nada a fazer aqui,
nesta terra de ninguém, que por onde
se olha, qualquer lugar
casas de séculos e pedras
tortas para se caminhar,
será pedir de mais?
nada para nada,
remédios que já não torturam mais,
querer mais que borroes no escuro,
sem deixar escapar aquela vontade de viver,
sem deixar de viver aquela vontade de escapar.


Thiago Pires
26/02/2011.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ai estar

De quanto gracejo
precisas deste quarto?
todo ate quanto não restar
espaços entre as bordas do
meu bolso.
onde tudo que reluz
cintila ate a nota
de dez passos,
mesmo infinito meio fio,
os olhos só podiam estar impolidos,
tão sutíl por simples
implodir de felicidade instantânea
talvez lembra de existir?
ou esquece para não lembrar
o que? para que?
entende o porque.
Pula de frenesi
ao som de uma
orquestra  voadora
iludibriando com jazz
toda essa cançao que nao me cança
posso ate ouvir a trilha sonora
de um bom filme antigo,
reliquia para boa tarde
enlouquecida deste lado.


Thiago Pires.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Pulmão de aluguel.



De folgosa voz falastrosa,
brincava de aparecer o
alto da cor desfocada de
seu latejor, sem espor
como traçou os rastros
do ruído forte daquela alvorada,
via toda lenha para
aquecer aquela garganta
coçando para dizer pios a parte,
de uma virada fatal
contagia em efeito dominó,
caido de cara no pé
de goiaba seca,
lambendo com a testa toda marmelada,
observando seu ponto cardeal
a respiraçao se aproximava
cada vez mais lenta, ofegante,
a nao ser por ter esquecido
o ato efeito de traquejar
o ar de suas asas tortas,
bem seria se bem dizia
que nao da para
cortar um pedaço de
carne com uma colher.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Embalagen descartável

Olhe que não se passa de promessa
não é tão conclusivo
essa fábula de mentiras
se despir para cobrir
a face alheia,
corta-se enfiado
na podridão a beleza,
vejo que o dia passa
sem perceber que esse
mesmo dia foi historias
de meio termo, não
querendo mostrar racionalmente,
em paz descanso, furto dos
sonhos perdidos,
aquela lasca de quadrados repetitivos
positivamente uma gota de suor, deixa
as deixas transbordar,
fim de historia,
fim de recomeços,
que persuadiam dentro desta
traidora mente dócil
que te ilude,
corre rapaz! se as palavras
de uma cigana fumante te seduz,
não encare com verdades,
sinta o fel de uma dor que passava-me como o vento,
apavorantes hostis de parte raivosa
foi só um grande prazo da validade que
mergulhava no fedor,
deixe estar, como iria saber
se os olhos cegos não podia ver?
se por ventura enroscava
o pescoço cortado fica
o laço de muitos
pesos que carrega
exceto esse pode-se
jogar ao ar em mar
para levar o furor
que um dia também senti.


Thiago Pires

23/01/2010

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Freio

Aposentando as rédeas,
que de trabalho árduo
me trazia um prato de desmazelo,
enterrado no colchão da vaidade,
não tinha mais a força de um segundo-luz,
precisamente um pote de urgir,
nesta imensa pedra que suspira
de gelos olhares,
para suprimir sem levar a mercancia,
sem deixar cair de  desvarios,
sem precisar subir o mais
alto da montanha para trazer
a mais bela dentre as flores
para mostrar que elas brilham
mesmo estando  escuro,
não precisando uma sequer pena
porque já sabe voar,
fazendo da vida um aperitivo,
fazendo da agua seu vinho,
mergulhando na correria
de um tudo muito complexo,
parando para pensar, bom
deixar levar, levando.

Thiago Pires 25/12/2010

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Doce Lar

Ouça o som que corrompe o fato
de não poder ver,
perceba este estardalhado que cobre em disfarces
de uma armadilha suspensa quase que artificialmente.
Veja marmota de seu solo,
sim esta fadiga
descansa sobre as minhas olheiras,
de pesadas em bafejos novos ares,
poluídos pelo seu povo
que ostenta suas desconstruçoes,
manejando
urticaria impulso justo
de apenas arrancar a parte
estragada do fruto.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Poucas Palavras

Sucinto animosidade
belicosa murmúrio esverdeado,
cochichos de perjúrio,
segunda infância,
arrancos a parte
placidamente.



Thiago Pires.